Maybach 62 – Valor: US$ 448.153

Se lhe dissermos que o motor V12 de 5,5 litros com 550 cv de potência não é o mais impressionante no Maybach, acredita? Pois é a mais pura das verdades, já que nada se compara ao luxo e ao requinte do interior deste automóvel de outra galáxia.

Para aqueles que prestam pouca atenção ao mundo automóvel, será certamente difícil perceber como é que uma limousine como o Maybach 62 custa cerca de 500 mil euros*. Mas, depois de termos tido o privilégio de conduzir, ou melhor, de sermos conduzidos no mais luxuoso veículo produzido pela DaimlerChrysler, tudo se torna mais claro.

Na verdade, após o primeiro contacto com o Maybach 62 (versão longa, com mais de seis metros de comprimento), percebe-se que há determinados prazeres na vida só ao alcance de muito poucos, e de muito poucos mesmo, porque, para usufruir de tamanho luxo e requinte, nem com o jackpot do Totoloto…

Ainda estamos a tentar descobrir o objectivo de uma parafernália de botões à nossa disposição, e já o nosso chauffeur rola em auto-estrada, dando a sensação de que o Maybach paira no alcatrão sem lhe tocar. Curiosamente, temos a informação de que vamos a 200 km/h, graças a três mostradores (um velocímetro, um termómetro e um relógio) que parecem saídos de um iate de luxo pela forma como estão colocados no tejadilho.

Com uma ganância tipicamente lusitana, não hesitamos em pressionar os comandos do banco para usufruir de tudo aquilo a que temos direito. Costas para trás, assento para a frente, apoio para as pernas esticado e ainda uma paleta que, levantada, acomoda as solas dos sapatos.

Como se não bastasse, ainda existe um sistema de massagens e ventilação com diferentes configurações. De realçar que o encosto de cabeça de dupla almofada é simplesmente divino, o que nos tenta a aproveitar o embalo para embarcar num santo sono.

Esquecendo rapidamente essa ideia, a nossa atenção recai agora sobre os dois ecrãs situados nas costas dos bancos da frente, onde surge a talentosa Diana Krall, ao vivo… A qualidade da imagem e do sistema de som Bose chega para impressionar mesmo os mais exigentes audiófilos, e o ritmo jazz que invade o habitáculo faz-nos perceber que é fácil qualquer um habituar-se a tanto luxo.

Caso o parceiro do lado não esteja interessado nos atributos da canadiana, pode sempre mudar a imagem do “seu” monitor (como é óbvio, através de um controlo remoto) para o sistema de navegação, um jogo de consola, televisão, etc., etc. Existem igualmente auscultadores guardados nas portas, para total independência dos desejos de cada um.

O tempo vai passando e a hora de experimentar a condução do Maybach aproxima-se, o que nos leva a rejeitar uma taça de champanhe, o qual segue primorosamente guardado no frigorífico sob o apoio de braços. Como seria de esperar, mesas retrácteis e espaços de arrumação generosos é coisa que não falta nesta “sala”.

No lugar do chauffeur

Passamos, então, para trás do volante, um lugar que, não sendo o mais apelativo deste automóvel, oferece uma excelente posição de condução, mas, mais do que isso, oferece também as rédeas de um motor V12 de 5,5 litros com 550 cv geridos por uma transmissão automática de cinco velocidades.

Por incrível que possa parecer, as quase três toneladas do Maybach 62 são puxadas pelas rodas traseiras com uma veleidade tal que são necessários apenas 5,4 segundos para cumprir o arranque dos 0 aos 100km/h.

Aliás, não é preciso pisar o acelerador a fundo para se atingir a velocidade máxima de 250km/h (limitada electronicamente), sempre com um conforto de rolamento superior, graças à evoluída suspensão pneumática Airmatic DC, com três leis de amortecimento pré-seleccionáveis (conforto, intermédio e sport).

Em auto-estrada, o Maybach é rei e senhor, e só quando é necessário lidar com zonas mais sinuosas é que se aconselha mais cautela. Nada que os sistemas de auxílio à condução não resolvam, mas, perante as dimensões em questão, quase é possível, numa curva fechada, ter a dianteira no fim da mesma e a traseira ainda no iniício da trajectória… Mesmo assim, mover o volante a baixa velocidade é quase uma brincadeira para crianças, tal a leveza da direcção.

Parar este colosso pode não parecer fácil, mas os travões de disco (com duas maxilas de quatro êmbolos cada, à frente) cumprem a sua função quando o pedal é solicitado com vigor.

O regresso ao hotel é feito novamente nos “sofás” traseiros, havendo ainda tempo para reparar na qualidade dos revestimentos e acabamentos, os quais são em pele normal ou tipo camurça, como é o caso do tejadilho, dos painéis laterais e da zona inferior do tablier.

Resta referir, para os potenciais – e felizardos – interessados, que este automóvel é feito “à mão” a uma cadência de 1000 unidades/ano, e que o cliente tem à sua disposição um agente Maybach que lhe garante atendimento personalizado e a capacidade para satisfazer as mais diversas exigências, protagonizadas por uma lista de 5000 opcionais… É uma outra galáxia dentro do universo automóvel.

Até Breve.

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