Telemar ou Brasil Telecom: Comprar Ações de quem?

As ações de Brasil Telecom e Telemar lideraram as negociações na Bovespa hoje, devido às notícias de que a Telemar pode comprar o controle da Brasil Telecom. Os papéis da Telemar subiram de 2,5% (TMAR3, a ordinária da operacional) até 12,7% (TNLP4, a preferencial da holding que controla a Telemar operacional. Já os papéis da Brasil Telecom caíram mais de 3%, excetuando-se as ordinárias da empresa operacional (BRTO3), que subiram mais de 7%.

Operacional? Holding? Não se encabule se você ficou confuso com tantas ações. O desenho societário dessas empresas é muito complicado. Vamos explicar rapidamente:

– o grupo Telemar surgiu na privatização a partir da fusão de algumas telefônicas estaduais do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Norte e Nordeste do Brasil. Os controladores são os grupos La Fonte, do empresário Carlos Jereissati, irmão do senador e ex-governador cearense Tasso Jereissati, do PSDB, além da GP Participações, holding de investimentos fundada por Jorge Paulo Lehman, associado ao extinto banco Garantia. A Telemar atua em 16 estados do Brasil. Sua face mais conhecida é a operadora de telefonia celular OI. Também tem uma boa atuação na internet, controlando a empresa Ig.

As empresas do grupo Telemar na Bolsa são duas. A holding Tele Norte Leste Participações, que tem ações ordinárias (TNLP3) e preferenciais (TNLP4). E a operacional Telemar Norte Leste, que tem ações ordinárias (TMAR3) e duas classes de preferenciais (TMAR5 e TMAR6).

– o grupo Brasil Telecom também surgiu na privatização, a partir da fusão de telefônicas estaduais do Sul e do Centro Oeste do Brasil. Seus acionistas são fundos de pensão, o banco americano Citibank e o grupo Opportunity, do empresário e investidor Daniel Dantas. A empresa italiana Telecom Italia também era acionista, mas vendeu suas ações em 2006. A trajetória societária da Brasil Telecom tem sido tumultuada, com brigas públicas entre o Citibank e o grupo Opportunity, além de problemas com os sócios italianos. A face mais visível da Brasil Telecom é sua operadora de celulares TIM.

As empresas do grupo Brasil Telecom na bolsa são duas. A holding Brasil Telecom Participações, que tem ordinárias (BRTP3) e preferenciais (BRTP4) e a operacional Brasil Telecom, que tem ordinárias (BRTO3) e preferenciais (BRTO4).

Complicado, não? Pois é, o setor de telecomunicações brasileiro nasceu a partir de uma trabalhosa privatização em 1997, que melhorou os serviços e popularizou os telefones, mas que rendeu memoráveis manchetes para os jornalistas econômicos, uma vez que os compradores quase sempre viveram às turras.

ImageShack Brasiltelecom

Agora, dizem os especialistas, é hora de o sistema começar a se consolidar, com a aquisição da Brasil Telecom pela Telemar. Vamos ver o porquê logo abaixo:

Os analistas dizem que a melhor opção para quem quer comprar ações é a Telemar, mas não já. Se a compra for confirmada – o que é quase certo, mas não totalmente; esse negócio já foi cantado em falso pelo menos uma dezena de vezes nos últimos anos – a Telemar se torna uma empresa capaz de competir com sua principal adversária na América Latina, que é a mexicana Telmex, do bilionário Carlos Slim, considerado o homem mais rico do mundo por alguns critérios. A Telmex é relativamente pequena no Brasil – tem a Embratel e da operadora de telefonia celular Claro. Mas é uma empresa gigantesca, possuindo o monopólio do amplo mercado mexicano.

Comprando a Brasil Telecom, a Telemar equipara-se em tamanho à Telmex e torna-se uma alternativa viável para investidores internacionais que quiserem atuar em telecomunicações na América Latina. Esse é o principal atrativo, caso o negócio saia.

Há riscos? Muitos.

O primeiro grande risco é concreto, definido, imprevisível e mora em Brasília. Chama-se governo. O setor de telecomunicações é muito regulamentado e tem de viver com a pesada intervenção estatal. Por exemplo, a compra da Brasil Telecom pela Telemar é ilegal: a lei de telecomunicações impede que um mesmo acionista controle duas operadoras. Mas o ministro das Comunicações, Hélio Costa, já disse que o governo vê o negócio com bons olhos, porque é estratégicamente interessante ter uma telefônica brasileira de grande porte competindo no mercado mundial. Por aqui, as participantes são a Telmex e a espanhola Telefônica.

O segundo risco é concreto, indefinido, imprevisível e não tem um lugar preciso em termos físicos. Chama-se internet. Tecnologias novas, como a transmissão de voz via internet (o chamado sistema VoIP) ameaçam morder uma fatia do faturamento das empresas de telefonia fixa. Já é possível conversar via internet por telefone tomando um café no Starbucks, mas esse recurso ainda é disponível para poucos. Os especialistas em telecom dizem que é questão de tempo para que essa tecnologia se torne barata e abundante, afetando mais ainda o negócio da telefonia.

O terceiro risco é o societário. A Telemar já tentou três vezes simplificar sua estrutura societária, unificando as diferentes ações da holding e da operadora em um só papel. Não deu certo porque a relação de troca entre as ações da operadora e da holding sempre foi considerada desfavorável para os acionistas minoritários. O histórico não ajuda: um dos participantes do capital é o grupo GP, responsável pela complicada oferta aos acionistas da Ambev, em 2004, que causou muito choro e ranger de dentes entre os minoritários da cervejaria.

Conclusão (ufa)!

– no longo prazo, as ações da Telemar podem vir a ser um bom negócio pois a empresa vai ganhar importância. As ações da Brasil Telecom deverão desaparecer, e não prometem grandes ganhos: os analistas são unânimes em afirmar que o preço oferecido de 4,8 bilhões de reais, ainda a ser confirmado, foi justo. Ou seja, sem grandes lucros para os donos da Brasil Telecom (não por acaso as ações caíram).

– no curto prazo, há poucas possibilidades de ganho. Os analistas dizem que as ações da Telemar já estão perto do preço justo e não vale a pena entrar agora. Mesmo assim, se esses papéis recuarem nos próximos dias, ainda há espaço para rápidos ganhos especulativos.

(Fonte: Revista Exame)

Até Breve.

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  1. By Lindaci lima

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